O que, afinal, quer Hugo Chávez?
Presidente da Venezuela agora pretende abandonar a OEA
Em uma de suas últimas aparições públicas, o presidente venezuelano Hugo Chávez bradou contra a Organização dos Estados Americanos, chamando a entidade de “burocracia imperial”. Na ocasião afirmou o desejo da criação de um novo órgão para a reunião de povos livres em substituição à OEA e ameaçou abandoná-la.
Não foi a primeira nem a última vez que Chávez grita contra entidades dominadas pelos Estados Unidos. Para ele, os interesses norte-americanos governam as Américas, impedindo a soberania dos países latinos. Uma teoria correta e que poderia ser respeitada, se as atitudes subsequentes não fossem apenas respostas a ingerências externas a seu governo - dias antes de condenar a OEA, Chávez havia recebido um relatório da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos criticando seu governo.
Dificilmente o presidente venezuelano conseguirá derrubar a OEA que, como a citada Comissão, foi criada e é gerida pelos norte-americanos. Em seu país ele consegue passar do discurso à ação rapidamente – por meios muitas vezes discutíveis, segundo seus opositores. Na política externa, porém, não tem conseguido ser levado mais a sério do que seu colega brasileiro Lula, o qual até para o poderoso presidente americano Barack Obama, é “o cara”.
A diferença de Lula para Chávez é que o brasileiro a princípio parece concordar com tudo o que seus interlocutores falam para depois dar o seu ponto de vista. Já o venezuelano prefere se antecipar e tentar fazer prevalecer a sua opinião sobre as outras. É uma questão de diferentes estilos. Na América do Sul os demais presidentes parecem mais inclinados a seguir o estilo fanfarrônico de Chávez que o apaziguador de Lula (como o boliviano Evo Morales, por exemplo).
Já a imprensa sul-americana, principalmente a brasileira, “demoniza” o venezuelano como se o próprio fosse a encarnação do mal. Propagam a idéia de que, se o povo da Venezuela aprova Chávez é porque o faz sob tortura. Para os donos da mídia bons mesmos são os políticos locais subservientes aos interesses americanos, desvinculados totalmente das ações sociais e que se for possível, vendem o país ao primeiro investidor que aparecer. A mesma idéia, aliás, que têm de nosso presidente, mas, devido à imensa popularidade de Lula, têm receio de propagá-la.
Pedro Damian
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